Léo
eu te respeito.
e te digo: obrigado, meu caro.
abraço
contrera
Leonardo disse...
Rodrigo, a primeira frase foi sensacional: "Vocês não me conhecem, logo, não sou ninguém." Eu estava lendo um texto do Roberto Da Matta que diz exatamente isto: no Brasil, quem não participa de rede de relações, não é pessoa, é apenas o indivíduo. Mas há um problema: o indivíduo, por não estar na rede de relações, só pode contar com a impessoalidade da lei. Eu acredito que o indivíduo não goza nem da impessoalidade da lei: se um funcionário público não te conhece, ele não precisa fazer a menor questão de efetuar o mínimo que ele deveria fazer.
um abraço
Leonardo
Prezado Aderbal
Prezado SBAT
Nenhum de vocês me conhece.
Portanto, até prova em contrário, não sou ninguém.
Disseram-me que para proteger minha obra devo registrá-la com vocês. Farei isso.
Mas vocês dizem mais: dizem que estão ao meu lado, que acompanham o teatro, que um monte de coisa mais. Não duvido. Gostei do conteúdo da Revista de Teatro. Bom.
Encenei em maio passado minha primeira peça. Uma platéia de 25 almas. Quatro atores.
Vocês não sabem. Talvez nunca fossem saber se eu não contasse. Quem sabe.
Foi bonito. Foi sério. Teve uma certa classe.
Acabo de terminar minha segunda peça. Comigo, como clown. Terá figurino, terá bonecos, terá outras coisas. Não farei tudo. Mas tenho onde apresentar.
Vocês nunca iriam saber. Nem sabem o título. Se procurarem, talvez achem algo a respeito. Hoje, a gente acha tudo. Qualquer coisa. Até aquilo que a gente não ousa procurar.
Nunca pensei em ser autor de teatro. Aconteceu. Tenho coisas aqui - no coração - que só assim, no teatro, descobri que podem me liberar de algo que não sei o que é.
Nunca pensei em atuar. Mas descobri, no trabalho de uma oficina de clowns, que só assim eu consigo libertar meu olhar de coisas que não ouso dizer.
Vocês dizem que estão ao meu lado. Não duvido. Mas quero-os ao meu lado. Exijo isso.
Não como o sindicato de que faço parte, ao qual pago 20 reais anuais e que nunca pôs os pés aqui dentro, na empresa onde eu trabalho. Não como o sindicato que nunca me manda emails ou nunca se interessa em "dar uma contrapartida" (que termos infelizes) a esses míseros 20 reais, com os quais posso, sei lá, pagar o fundo de obras do condomínio no prédio onde sou síndico.
Pois é.
Que dilema.
Não tem dilema algum, aqui.
Simplesmente vocês existem, e eu não sabia. E eu existo, e vocês não sabiam. No problem. Logo irei cadastrar e registrar minhas obras com vocês. Mas, e aí? Continuaremos não existindo um para o outro?
Sei lá.
Torço para que existamos, para que nos tornemos amigos, para que saiamos do anonimato desta sociedade em que conhecemos o mundo mas não conhecemos a nós mesmos, em que conhecemos a nós mesmos e não estamos nem aí para o mundo.
Torço.
Torcemos?
Um abraço
Rodrigo Humberto León Contrera
2 comentários:
Rodrigo, a primeira frase foi sensacional: "Vocês não me conhecem, logo, não sou ninguém." Eu estava lendo um texto do Roberto Da Matta que diz exatamente isto: no Brasil, quem não participa de rede de relações, não é pessoa, é apenas o indivíduo. Mas há um problema: o indivíduo, por não estar na rede de relações, só pode contar com a impessoalidade da lei. Eu acredito que o indivíduo não goza nem da impessoalidade da lei: se um funcionário público não te conhece, ele não precisa fazer a menor questão de efetuar o mínimo que ele deveria fazer.
um abraço
Leonardo
Léo
eu te respeito.
e te digo: obrigado, meu caro.
abraço
contrera
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